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Contos em ebook da Editora Draco

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Recentemente a Editora Draco lançou alguns contos no formato ebook e os disponibilizou na Amazon.com. O tamanho curto dos textos aliado à acessibilidade do formato é o que cria a grande vantagem de se publicar digitalmente. É quase um fast-food literário, no bom sentido da coisa.

Cada conto custa só $0,99 e pode ser lido em praticamente qualquer plataforma. Se você não tiver um Kindle, pode baixar o aplicativo para ler ebooks no PC, no Mac, numa tablet ou num smartphone.

Agora sobre as capas. A arte das capas, de autoria de Erick Sama, é bastante simples, com destaque para as tipografias. As cores fortes e as texturas de fundo são o que chamam a atenção. Essa carga pesada é contrabalanceada pelos desenhos de traços livres e rabiscados, refletindo o tema de cada conto numa figura única ou floreando a própria tipografia. Uma capa que foge um pouco do estilo das outras é a de Dies Irae, conto de Lidia Zuin. A arte é de fundo chapado preto e tipografia pixelada verde-limão, como um texto num monitor de fósforo (aqueles dos anos 80). Achei muito acertada a identidade visual dessa coleção de contos em ebook. Como é um texto curto para ser lido rápido e em formato digital, a capa pede uma arte igualmente veloz de ser lida, mas com impacto suficiente para chamar a atenção.

Se no lugar de contos fossem romances ou novelas acredito que o estilo das capas cairia muito bem numa publicação em papel no formato pocket.

Fiquem com as bonitas capas de cada conto lançado até agora. Ao clicar numa capa, você será redirecionado para a página do conto na Amazon.

Capa de Osama, por Pedro Marques

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O artista português Pedro Marques foi indicado ao British Science Fiction Association Award pela capa que fez para o livro Osama, de Lavie Tidhar. O próprio livro também foi indicado para Best Novel.

Você pode ver a lista completa de indicados aqui.

Indicação merecida. A arte é bonita, impactante e enxuta. O artista se utilizou da figura imensamente conhecida do terrorista e o desmembrou em estilhaços como um quebra-cabeça, refletindo o tom investigativo do livro. É interessante (e preocupante) notar como a imagem estereotipada do muçulmano terrorista se impregnou em nossas percepções a ponto de identificarmos (e julgarmos) o personagem apenas por seus contornos. Os olhos que não encaram o observador são dispersos como a fumaça em primeiro plano. A solução das linhas de movimento no fundo deu um ar pop à composição.

Sobre o livro, traduzo um trecho de uma resenha feita por Josh Roseman, no Escape Pod:

Osama é a história de Joe, um detetive particular que mora em Vientaine (no Laos), e é comissionado por uma misteriosa mulher para achar um homem chamado Mike Longshott. O que faz de Longshott alguém especial é que ele é o autor de uma série de livros pulp chamada Osama bin Laden: Vigilante. Com uma quase ilimitada linha de crédito, cortesia de seu empregador, Joe viaja a Paris, Londres e onde mais for necessário à procura do misterioso autor, apenas para se deparar com seu caminho bloqueado por falsas pistas e por agentes do governo que metem a porrada nele.

Para ler a resenha inteira (em inglês), clique aqui.

Se você estiver lendo esse post hoje (28 de Janeiro de 2012), pode adquirir a versão ebook de graça na Amazon. E não se desespere se não tiver um Kindle, você pode ler num aplicativo para PC, Mac ou celular. Adquira a obra aqui.

Atualização – 30 de Janeiro

O ebook ainda tá saindo de graça na Amazon. Não sei até quando vai ficar assim, então se você tá lendo esse post só agora, dá uma conferida lá.

E sobre a indicação do artista português pro BSFA no blog da revista Os Meus Livros.

[Gotas de Pollock] Cem Anos de Forever Alonismo

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Super compraria o livro com essa capa.

[Sobre os ombros de gigantes] III

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“Séria é a vida, jovial é a arte”.

- Schiller

 

“Ou não”.

- Alliah

Capa de Assembleia Estelar, por Vagner Vargas, pela Devir

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A resenha de hoje vai pra arte de Vagner Vargas, da capa de Assembleia Estelar, coletânea da Devir que reúne histórias de Ficção Científica Política. As famigeradas capas da Devir costumam desagradar os leitores pelo visual peculiar que as figuras desenhadas pelo artista possuem. No tumblr Encapando, a definição Síndrome do Bonequinho não poderia ser melhor: “o capista não consegue desenhar seres humanos ou humanoides sem que eles se pareçam com bonequinhos de brinquedo, rígidos e inexpressivos”. E bonequinhos Playmobil, como bem apontou o PORRA FANDOM (sumido, por sinal. Cadê você, anônimo?).

E isso se repete na capa de Assembleia Estelar:

A ideia da composição não é ruim. Também não foi mal executada. Nem tão mal. As cores bronzeadas do fundo poderiam ter mais matizes e contrastes e os prédios mereciam um desenho mais minucioso pra não parecerem geometrias de plástico. Eu gostei daquele planeta (ou lua, não sei o tipo de corpo celeste que é). O efeito evanescente é interessante e o tamanho exagerado deu um impacto legal. Não tenho muito que falar da tipografia. É bastante simples e genérica.

O problema são esses bonequinhos. Eles são duros, robóticos, meio mola encolhida. A anatomia carece de dinâmica, vivacidade, organicidade. Não sei se a roupa é propositalmente desenhada pra esmagar, encolher e enquadrar o corpo dos personagens, mas eles parecem prisioneiros imobilizados.

O ilustrador também é artista plástico e basta uma olhada rápida em seu portfólio pra perceber que o estilo bonequinho se estende em suas obras não-editoriais. Se essa é a escolha estilística do artista, okay, há os que apreciarão e os que torcerão o nariz. Mas em se tratando de ilustração, a proposta comercial pede um apelo tradicional. Já ouvi dizerem que não comprariam determinado livro da Devir por causa da capa.

A falha reside na artificialidade.

E não precisa ser anatomicamente fiel pra conseguir uma pose orgânica. A anatomia pode ser retorcida e distorcida. Moldada no formato que você quiser, desde que se respeitem as contrações e distenções, dobras e escorços, articulações e ligamentos.  É como escrever uma história de ficção científica num universo imaginário onde as leis foram criadas por você. As leis físicas desse universo são completamente diferentes das leis físicas do nosso mundo, e isso não é problema algum. Basta os eventos da sua história obedecerem a lógica dessas leis imaginárias. Do contrário, tudo soará artificial e você não convencerá o leitor. Os músculos (e tem mais de 600 deles) não estão sozinhos. Tem gordura e pele em cima, e cada camada reage de uma maneira diferente. Sobre que perna o personagem está jogando o peso? Os ombros estão caídos ou levantados? Qual a posição angular do torso e como as dobras da barriga reagem? A pele é fina e elástica ou velha e seca? O músculo é trabalhado ou as formas são sedentárias? Se esses detalhes são ignorados na hora de compor o desenho, a figura sai artificial. Sai um bonequinho genérico com prisão de ventre.

Pra ilustrar melhor a dinâmica que eu to falando, observem abaixo alguns estudos de Charles Hu, um mestre em desenho anatômico:

E agora observem alguns desenhos de Mike Mignola, criador de Hellboy. É um puta exemplo de anatomia distorcida que soa natural. Mignola criou suas próprias leis. O desenho é estilizado e quase sem curvas, mas possui o aspecto orgânico que não deixa o personagem todo robotizado.

Esses artbooks de Hellboy foram os melhores presentes que eu ganhei de Natal.

Sério. Os melhores presentes ever. Ainda babo em cima dos livros.

E enquanto isso os capistas da Devir continuam playmobilizando seus personagens. A capa de Taikodom – Crônicas, de autoria de Ivan Jerônimo, me causou duas reações imediatas.

Eis a capa:

Moço, tem ovas de peixe alienígena gigantes em cima da sua cabeça.

A primeira reação foi um:

E a segunda foi olhar mais atentamente e perceber que o bonequinho em destaque, além da aparente falta de glúteos médio e grande, tem pelo menos dois músculos esmagados, o trapézio e o angular da omoplata. Vai ver é por isso que ele tá com essa cara de quem chupou limão azedo.

E alguém me explica o por quê daqueles garfos flutuantes ali à direita?

Em seu Libelo contra a arte moderna, Salvador Dalí descreveu o Nu deitado de Picasso como “gravíssimo, impossível algo pior, pura bestialidade“. Certo que Dalí escreveu esse libelo como o louco com sangue nos olhos que ele era, mas não há como negar a elegância dessas palavras.

Eu não iria tão longe numa crítica de capa. Afinal, é uma capa.  Mas dadas as circunstâncias comerciais da ilustração, acho que um pouco de estudo não faz mal a ninguém.

[Gotas de Pollock] O que vai numa capa?

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Essa semana li um excelente texto de autoria de Samuel Titan Jr. no blog do Instituto Moreira Salles. O artigo se intitula “O que vai numa capa?” e fala sobre o processo de criação da capa da edição brasileira de “Manuel Alvarez Bravo – Photopoetry”, em razão de uma exposição de mesmo nome do fotógrafo mexicano. O livro não é apenas um catálogo, mas uma monografia com 374 imagens cobrindo o trabalho pr’além da exposição.

A bela capa em questão é essa:

Detalhes sobre a escolha da foto vocês conferem no texto no blog do IMS, vão lá conferir.

Capas que trazem não uma ilustração tradicional ou uma composição de design gráfico, mas uma foto, dialogam em diferentes camadas com o público. Primeiro a fotografia em si, pura e separada do contexto da capa, que possui um significado próprio, derivado das escolhas subjetivas do fotógrafo que, entre milhares de ângulos e posições, escolheu aquelas coordenadas específicas para eternizar uma nesga de um evento.  A partir do momento que alguém pega essa imagem e a coloca numa capa, adicionando textos diretamente na fotografia, o sentido se altera. Se a alteração é ínfima ou radical, vai depender das intenções do livro. Nesse outro post aqui, a pintura utilizada na capa (que muito bem poderia ser uma fotografia, já que a arte vintage retratada em questão era feita com intenções realistas), é deliberadamente desvirtuada com propósitos irônicos e sarcásticos.

Já na capa de Fotopoesia, acontece o contrário, vemos uma aprofundação do sentido que a foto transmite. E isso se realiza através de um pequeno, porém maravilhoso, detalhe. O laranja solar escolhido para o título. É como se a menina protegesse os olhos da luz emitida pela própria palavra. A escolha de apenas letras minúsculas foi acertada, pois não causa uma quebra de equilíbrio e mantém a foto como protagonista.

A exposição “Fotopoesia” abriu dia 27 de Novembro na sede carioca do IMS e fica em cartaz até 26 de fevereiro, depois segue para São Paulo.